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Entenda o que levou à condenação dos envolvidos no esquema que cassou ex-prefeito de Campo Grande
03/04/2025
(Foto: Reprodução) Ao todo, 11 pessoas entre empresários e políticos foram condenados. O grupo era investigado desde 2015 pela operação Coffee Break. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (3) e ainda cabe recurso. Políticos e empresários condenados pela justiça após Operação Coffee Break.
Reprodução
Recebimento e oferecimento de vantagens indevidas, convencimento de colegas a favor da cassação e até manipulação de fatos em empresas são alguns dos fatores presentes nos autos do processo que condenou 11 pessoas, entre empresários e políticos, nesta quinta-feira (3).
André Luiz Scaff, Carlos Eduardo Naegele, Edil Afonso Albuquerque, Jamal Mohamed Salem, João Alberto Amorim, João Roberto Baird, Gilmar Olarte, José Airton Saraiva, José Alceu Bueno, Mário César da Fonseca e Paulo Siufi foram condenados por um suposto esquema de propinas e compra de votos na Câmara de Campo Grande para cassar o ex-prefeito Alcides Bernal.
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Os condenados eram investigados desde 2015 pela operação Coffee Break. Além da perda de direitos políticos, a sentença prevê o pagamento de R$1,9 milhão por danos morais coletivos e proibição dos envolvidos em realizar contratos com o poder público. A decisão cabe recurso.
O g1 teve acesso ao relatório e reuniu os principais motivos, de acordo com a condenação, que levaram os empresários e políticos a condenação. Confira:
André Luiz Scaff
Conforme a investigação, Scaff foi nomeado responsável pela área de finanças e, nesse cargo, garantiu repasses aos indicados e realocou recursos para favorecer contratos das empresas citadas. Além disso, participou de reuniões para definir a melhor forma de beneficiar essas empresas, agindo como principal articulador dos interesses envolvidos.
Carlos Eduardo Naegele
Os documentos que basearam a condenação indicaram que o empresário ficou encarregado de fazer um trabalho de convencimento político da sociedade. Utilizando de jornal local, de sua propriedade, para manipular os fatos e atuar na imagem pública a favor de vereadores que votassem conforme os interesses particulares, inclusive recebendo vantagem indevida, como detalha a condenação.
Edil Afonso Albuquerque
A investigação indica que Edil teria negociado e aceitado promessa de vantagem indevida consistente na sua nomeação para ocupar o cargo de secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia e Agronegócio (SEDESC), bem como a prerrogativa de indicar correligionários para ocuparem outros cargos comissionados dentro da estrutura administrativa municipal, com a finalidade de que votasse favoravelmente à cassação do mandado do prefeito Alcides Bernal.
Jamal Mohamed Salem
A conduta se deu no uso das atribuições e relacionamentos no exercício do mandato de vereador e que os fatos ocorridos acabaram por interferir no legítimo processo de eleição e do sistema democrático de governo, levando em conta que ele atua como político há anos, de acordo com a condenação.
João Alberto Amorim
Movido por interesse particular, ofereceu promessas de vantagens indevidas com objetivo de cassar o mandato do novo prefeito visando e logrando angariar ou restaurar benefícios, como detalha o documento do TJMS.
João Roberto Baird
Movido por interesse particular, ofereceu promessas de vantagens indevidas com objetivo de cassar o mandato do novo prefeito visando e logrando angariar ou restaurar benefícios, de acordo com a condenação que o g1 teve acesso.
Gilmar Olarte
Atuando na frente política da associação criminosa para cassação de Alcides Bernal, recebeu e ofereceu vantagens indevidas a políticos diretamente envolvidos na votação do impedimento do então chefe do executivo, segundo os dados que subsidiaram a condenação.
José Airton Saraiva
A condenação afirma que José Airton Saraiva utilizou do cargo e influência que possuía na Câmara Municipal a fim de convencer outros vereadores a votarem favoravelmente à cassação de Alcides Bernal, recebendo valores para tal. O que culminou em evolução patrimonial incompatível com as atividades desenvolvidas.
José Alceu Bueno
Como o réu faleceu durante o processo, seus herdeiros não podem receber penas de caráter pessoal. No entanto, como ele obteve um aumento de patrimônio de forma incompatível, devido ao recebimento de benefícios indevidos, a perda desse valor — R$ 13,5 mil — é considerada justa e aplicável aos herdeiros, de acordo com a condenação.
Mário César da Fonseca
Teria atuado como intermediador das negociações de promessas e pagamento de vantagem indevida, junto aos vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande para que votassem de maneira favorável à cassação do então prefeito Alcides Bernal, segundo a condenação.
Paulo Siufi
Conforme as informações da condenação, Paulo Siufi teria negociado e aceitado promessa de vantagem indevida consistente na indicação e nomeação de correligionários para ocuparem cargos comissionados no âmbito do Poder Executivo Municipal, com a finalidade de votar favoravelmente à cassação do então prefeito Alcides Bernal.
Investigações da Coffee Break
Ex-prefeitos, Gilmar Olarte e Alcides Bernal, foram condenados por improbidade administrativa
Arquivo: Tatiane Queiroz/G1MS
As investigações da operação Coffee Break começaram no dia 31 de julho de 2015. A operação foi deflagrada em 25 de agosto do mesmo ano, quando nove vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande foram conduzidos para prestar depoimento no Gaeco O prefeito à época, Gilmar Olarte e o então presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar Fonseca, foram afastados do cargo.
As análises indicaram a articulação do grupo condenado para cassar o prefeito Alcides Bernal. A cassação do mandato ocorreu em 12 de março de 2014. Dos 29 vereadores de Campo Grande, 23 votaram a favor da cassação de Bernal por irregularidades em contratos emergenciais. Seis foram contra. Com isso, o então vice-prefeito Gilmar Olarte (PP) assumiu o comando do Executivo do município.
No dia 15 de maio de 2014, o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, suspendeu o decreto de cassação e concedeu liminar para volta dele à chefia do Executivo municipal.
Na madrugada do dia 16 de maio de 2014, o TJ-MS acatou recurso da Câmara e cassou a liminar que determinava a volta de Bernal ao cargo de prefeito. Desde então, a briga passou por várias instâncias da Justiça, chegando até ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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